KÖR ATELIER

 

DESIGN, MODA E BRASILIDADE        |        MAIA PIATTI        |        KÖR ATELIER        |        FÊ MACHADO

 

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Muito daquilo que estudamos e encontramos nas teorias contemporâneas sobre nossas identidades como pertencimento, fragmentação, deslocamento, celebridades, solidão, encontros e desencontros, e que estão relacionadas a conceitos e fenômenos contemporâneos da globalização e da vida digital, estão expressas no trabalho de Marina Mazon e Marina Cintra, o atelier criativo Kör.

Conheci essa busca intelectual da dupla ainda quando estudantes do MBA de Consumo na ESPM, no qual leciono. Para a maioria, quando falamos em globalização e vida digital, estamos tratando de alta tecnologia, mas para a dupla vale a pena observar suas consequências.

A ideia da Kör de produzir com as mãos objetos de alta qualidade chamou-me a atenção. Este por si só já era um bom motivo para atraí-las para este projeto da Segatto, pois há similaridade de valores. Valores estes que no mundo atual merecem atenção, compreensão e reflexão. Por isso precisamos de leitores capazes de decifrar isto, pois a quantidade de produtos que nos cercam invadem nossa capacidade cognitiva afastando, por vezes, esse tempo necessário para uma observação mais detalhada daquilo que realmente merece destaque.

Assim é o trabalho da dupla, são objetos com valor emocional e simbólico para durarem por mais tempo, então a temporalidade se enfrenta com a moda. E nada mais simbólico que escolher a bolsa para transmitir esses conceitos: é aí que guardamos ou perdemos, como a dupla costuma dizer, o que carregamos.

Nesse sentido o objeto tem valor de uso e de fruição, por momentos, pendurados em uma parede nos remetem a uma obra de arte. Mesmo sem essa intenção, este mundo contemporâneo nos permite tais escolhas. Em outros momentos é o objeto que gostamos de carregar conosco, nessa solidão das grandes cidades que nos aproxima de objetos e os torna amigos.

A fragmentação que é conceitual e está na escolha dos temas, como recortes deste mundo, também está presente esteticamente nas bolsas. Há deslocamentos nos temas também, mas me agrada quando está na materialidade, ou seja, a escolha de um conceito como Oriente-se nos desloca geograficamente e intelectualmente, nos remete às caminhadas, caminhar em função do sol, nos orientar, encontrar um norte. Mas, há também, um deslocamento dos sentidos que a materialidade nos permite, que está nas cores, nas texturas, no toque e na marca em relevo. Todo o cuidado com a produção, as fotos e os textos reflete o modo com que se dedicam a seu trabalho.

Pretendemos apresentar nos ambientes o inusitado que está em suas peças. Na mostra Segatto suas peças aparecem do forma singular, num diálogo inteligente, onde percebemos comportamentos e compreendemos que a criatividade que permeia ambos é o caminho que faz a ligação entre as marcas.

Feliz por ver jovens criativas preocupadas com o mundo e sensíveis aos outros. Feliz por ver a Segatto receptiva, de portas abertas e contribuindo para a divulgação destes trabalhos.

Alvaro Guillermo
Curador

 

GALERIA

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